Sugestão Dia da Mãe

Mimos para as mães, tias e avós portuguesas na Artlusa.

Filosofia de supermercado

No supermercado uma senhora viu-me escolher umas tangerinas e perguntou-me se achava que eram boas. Como hei-de saber?, penso eu, se ainda não as provei.
Pois, diz ela, o problema é que nunca sabemos. Elas parecem bonitas mas depois provamos e sabem a plástico.
Concluo eu - não é como tudo na vida?



Regresso de comboio a casa. Fui a Lisboa renovar o bilhete de identidade e levantar um exame ao hospital. Ao almoço o empregado de mesa rondava os clientes, mãos atrás das costas, que descruzava quando levantava o prato e perguntava, e para sobremesa?
Na mesa contígua, um senhor sorve da colher a sopa de legumes. Peço a conta. Desço a rua e apanho o metro.
Na outra carruagem, à distância de um vidro, um rapaz sussurra ao ouvido de uma rapariga, o que sussurará ele?, ela segura-se a ele pelas presilhas das calças. Entro numa loja, uma senhora pergunta-me se a camisola que traz na mão é do tamanho L, porque ela costuma comprar o L, mas com estes óculos não vê nada bem, obrigado menina.
De volta ao comboio. Parece que são as pessoas que se estão a mover e não o comboio a andar. Parece que quem corre são as pessoas na gare, as estradas, as árvores, as casas, os túneis, os graffitis, benfica crew, eixo norte-sul, segunda circular. Gare de novo, publicidade a um creme auto-bronzeador, só um bronzeado uniforme pode ser bonito. O outro comboio cruza-se em sentido contrário, ficando os passageiros de ambos os comboios a olharem-se mutuamente. Que será que pensam as pessoas?

Queremos ir à lua mas voltar

Lembra leite morno com suchard express, pão torrado barrado com manteiga dos dois lados, dias de sol a brincar no quintal, jogar ao elástico, à macaca, saltar à corda com um só pé, fazer castelos de areia na praia com copos de iogurte.
E nada mais. Puré de batata com peixe espada grelhado e um fio de manteiga derretida. Panamás, marcadores molin, lápis viarco, cadernos de música com colcheias perdidas, o som dos xilofones, hora de recreio, cambalhotas na areia, amantes de escorregas, baloiçar até à vertigem.

Vale a pena ver
castelos no mar alto
Vale a pena dar o salto
pra dentro do barco
rumo à maravilha
e pé ante pé desembarcar na ilha
Pássaros com cores que nunca vi
que o arco-íris queria para si
eu vi
o que quis ver afinal

É tão bom uma amizade assim
Ai, faz tão bem saber com quem contar
Eu quero ir ver quem me quer assim
É bom pra mim e é bom pra quem tão bem me quer

Vale a pena ver
o mundo aqui do alto
vale a pena dar o salto
Daqui vê-se tudo
às mil maravilhas
na terra as montanhas e no mar as ilhas
Queremos ir à lua mas voltar
convém dar a curva
sem se derrapar
na avenida do luar

É tão bom de Sérgio Godinho

Cheira a alibi

Ontem adormeci no sofá, deviam ser umas seis da tarde. Parece que existe um momento em que, ainda não estando a dormir, sonho com coisas estranhíssimas. A certa altura toca a campaínha, que me faz levantar do sofá e lembrar-me do que estava a sonhar.
Pois ontem sonhava com a seguinte frase: Cheira a alibi. Haverá frase mais estranha para se sonhar?

The stroke insight

O blog "a barriga de um arquitecto" escreve sobre uma neuroanatomista, que dedicou a sua vida a estudar as funções, ligações e características do cérebro, que numa manhã acorda com uma dor atrás do olho esquerdo e sofre uma hemorragia cerebral. Estando acordada, descreve que a certa altura pensou: estou a ter um AVC, que sorte poder estudar o meu próprio cérebro de dentro de mim própria!
Consultar em: a barriga de um arquitecto.

Vídeo: "My Stroke of Insight" em TED


(Obrigada João pelo email, merece divulgação).

viagem gráfica

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