Desde que a minha Albertina se foi, que Deus a tenha (benze-se), que a pensão não chega para tudo. Cem euros de renda pelo anexo, o gás, a água, a luz, a comida (enumera pelos dedos), roupa e livros para a garota.
Mas não me quero queixar, agora é andar em frente, não vale a pena chorar por leite derramado. Tenho saúde para trabalhar (pausa) e isso é o que conta.
Novas ideias:
Deitada no chão, vêr as pessoas a andar de lado, parecendo o homem-aranha a andar nas paredes.
Existe uma linha que divide o nosso corpo em duas metades.
O que será que fazem as outras pessoas neste momento? Linhas de tempo comuns.
Que desmongolizar é um verbo.
Que quase todas as terras têm um "Rei das Bifanas".
Que a seguir a Julho entra Agosto.
Que um bikini pode ajudar calcanhares alheios.
Que nunca devemos perder a esperança de encontrar dois pensos rápidos no meio do nado.
Que as carraças são mais matreiras do que se julga.
Que o melhor restaurante no Escoural é o Manuel Azinheirinha (Bochechas de porco com migas, javali com puré de maçã, omelete de espargos, coelho assado, grão com bacalhau, favinhas com chouriço, salada de pimentos, açorda, ovos de codorniz).
Que o pão dos outros sabe melhor.
Que as rãs bebés não nascem de ovos de plástico.
Estacionei o carro paralelo às outras dezenas. Um arrumador aproxima-se e pede uma moedinha. Vacilo. Tiro 70 cêntimos do porta-moedas. Estico a mão na sua direcção. Ele agradece e benze-se.
Ir a casas de banho públicas em Lisboa torna-se menos incómodo.